
Há algum tempo eu ando perguntando para algumas pessoas, que julgo serem ímpares na arte do pensamento, sobre qual a melhor forma de você conseguir que uma pessoa se abra com você. Sei, por experiência própria, que nós passamos os anos, os meses, os dias, as horas, os segundos, fugindo... Tentando esconder das “outras partes” o que tememos em nós mesmos. Pode ser algo profundamente pessoal, de aceitação própria, ou algo ligado à existência de um profundo medo da reação da(s) outra(s) pessoa(s). Nesse segundo caso a questão não é de aceitação própria, mas de como aquilo será visto e julgado por outra pessoa. Assim, vivemos dia após dia, dirigindo as ações, que mesmo não sendo inteiramente verdadeiras, funcionam ao propósito de tornarem as nossas vidas possíveis... No trabalho, na vizinhança, nas amizades e no amor (entre duas pessoas. O par.). Agindo assim, sempre fugindo de expor o que tememos não ser aceito pelas outras pessoas, nos tornamos incompletos personagens. Acreditamos que o OUTRO nos aceita, mas esta aceitação pode ser real?! Aí descobrimos que nós mesmos fortalecemos as incertezas, porque a verdade, nua e crua, nunca saberemos de FATO. Mesmo assim, alguns de nós, temos coragem de nos manter de pé... Sozinhos ou acompanhados, caminhando, construindo... A questão é: Precisamos ser aceitos do jeito que somos... Ou que estamos... Ou que nos transformamos.
Ao menos uma questão de má avaliação pessoal é tirada de nós... Assumimos que não somos perfeitos e assim a aceitação do outro passa a ser natural.
Há alguns meses ando profundamente ligada a essas questões, por razões pessoais. Para mim é extremamente difícil definir a forma de construção do pensamento humano, pois penso de maneira diferente. Eu observo a linha de raciocínio, os sintomas, os vícios, as palavras proferidas e indicações. As razões que movem os seres humanos são, definitivamente, o maior indicador de suas condições, sejam elas físicas, mentais ou espirituais. É tudo extremamente exposto... DEFINITIVAMENTE não podemos nos manter a salvo dos outros... A não ser que os outros estejam, DELIBERADAMENTE, cobrindo os olhos.
A convivência humana é, portanto, um dos maiores males da humanidade. A grande maioria é de uma ignorância tão exagerada, que nem os próprios defeitos e falhas são capazes de ver. Apenas as pessoas que aceitam suas falhas e defeitos são capazes de aceitar o outro da forma que ele vem... Ele puro, intocado e exclusivo. Conseguem ver, inclusive, as interpretações que destoam de suas ações costumeiras... Algo que se ilumina com tanta clareza, que apenas não vêem aqueles que, realmente, não podem ver. Fica assinado cada ato da interpretação... Em cada gesto, cada palavra.
Sejamos um pouco mais observadores... Somos capazes de saber quem pode estar conosco... Em quem podemos confiar... Podemos observar e VER, quem nos aceita do jeito que somos sem exigir condições para isso. As demonstrações de amor incondicional se apresentam sempre, na primeira semana ou no decorrer de anos, durante as fugas ou nos reencontros. As pessoas, que devem se manter unidas, NUNCA conseguem permanecer afastadas... Até isso foge do seu controle.
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