Eu sabia o mundo num beijo
E apreendia tudo com o olhar
Prendi nos meus lábios o beijo,
Apreendi no meu olhar o luar
Perdi pela vida meus brinquedos,
Instrumentos de liberdade
Fui adquirindo medos,
Sinal de louca ansiedade
Fui passeando pela cidade
E encontrei um gato pardo
Onde já se viu, na minha idade,
Imaginar o pobre gato, leopardo?
Lá vou eu, caminhando em pensamento,
Rompendo veredas e o tempo
Pois o tempo é um passatempo.
O passar do tempo é a minha consciência,
Já tão cheia de ciência
Que a quero cheia de juventude
Chega da ciência-carência.
Quero da inocência-virtude,
A paz que nunca tive,
Aquela sombra no sol e quietude
Quero um pomar de verde
Rajado de sol e sombra
Quero um duende verde
E uma fada que assombra
Quero um mundo enorme
Do tamanho de um quarteirão
Eu quero um olho que sempre dorme
e sonha, não com solidão
Mas com a vida, companhia,
Flores, brincadeiras, alegria
Quero ser uma flor
Que não se nutra só de dor
Mas quero perder as raízes
E as pétalas deixar por asas
Quero voar pelo mundo
Soltando brasas
Quero a felicidade sem fundo
Quero o meu companheiro sem medo
Que juntos nós retomemos os brinquedos
E transformemos as nossas vidas;
Que entremos no combate
Da vida, sem sermos covardes
Quero com nosso beijo saber o mundo
Quero com nosso olhar apreender o luar...
Martha Valéria
sábado, 18 de outubro de 2008
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Lindo, lindo!!!
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